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domingo, 1 de novembro de 2015

domingo, 18 de outubro de 2015

Controlo de Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemases: O papel da gestão clínica

A propósito do artigo de Delory (AJIC; October 1, 2015Volume 43, Issue 10, Pages 1070–1075) realça-se que as Enterobacteriaceae (CPE) Produtoras de carbapenemase são uma preocupação imediata para as políticas de controlo de infeção. A sua detecção rápida na admissão às unidades de saúde é crucial para travar a propagação de um surto.Os autores relatam um cluster de 13 casos de Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) -2- num hospital terciário. O objetivo deste estudo foi identificar fatores que contribuiram para a origem do surto.

Métodos
A investigação do surto foi realizada utilizando epidemiologia descritiva, observação das práticas de cuidados de saúde, e entrevistas com o pessoal. Foi realizada a análise de causa raiz para identificar causas e falhas latentes nas medidas de controlo de infeção, utilizando a associação de litígios e métodos de gestão de risco.

Resultados
A causa principal do surto foi o atraso na identificação de KPC-2-. Os fatores contribuintes estavam relacionados com o trabalho e com fatores ambientais: falta de pessoal, a falta de protocolos pré-definidos, características do pessoal e fatores dos doentes.
Falhas latentes foram as seguintes: nenhuma promoção das diretrizes nacionais para a prevenção da transmissão do CPE, nenhum procedimento claro para doentes transferidos de outras unidades, nenhuma iniciativa clara para a promoção de uma cultura de qualidade no hospital, produtos biológicos encaminhados para um laboratório privado e má comunicação entre os membros do hospital.

Conclusão
A gestão clínica deve ter um papel mais ativo para controlar surtos de infeção hospitalar e deve incluir o trabalho em equipa e a promoção duma cultura de segurança.




sábado, 17 de outubro de 2015

Prevenção e Controlo das IACS: Contributos para a Tomada de Decisão em Enfermagem

Da autoria de colegas Enfermeiros este documento é uma mais-valia na tomada de decisão no que diz respeito ao tipo de precaução a aplicar a cada condição/microrganismo.
Parabéns pela iniciativa.


Enfermeiro de controlo de infeção

A segurança do paciente é a prioridade número um! 
O que podemos fazer:
  • Veja o Enfermeiro de Controlo de infeção como seu parceiro para prevenir as infecções associadas aos cuidados de saúde não como seu "inimigo". Contacte-o se você tiver quaisquer perguntas ou dúvidas relacionados com as medidas de controlo de infeção.
  • Higienize as mãos antes e depois de cuidar de um utente.
  • Use luvas, batas e máscaras nos momentos certos.
  • Certifique-se que o quarto do utente e qualquer equipamento utilizado é limpo.
http://professionals.site.apic.org/10-ways-to-protect-patients/know-about-infection-preventionists/

Precauções básicas de prevenção de infeção

Quando vamos ao hospital ou outra instituição de saúde ficamos mais vulneráveis a adquirir infeções e devemos tomar medidas para prevenir essas infeções - Precauções básicas de prevenção de infeção!


http://www.apic.org/

  1. Lave as mãos regularmente com água e sabão ou use desinfetante para as mãos frequentemente.
  2. Pergunte .... Lembre-se: Uma agulha, uma seringa, apenas uma vez.
  3. Peça para o seu quarto ser limpo sempre que lhe parece sujo.
  4. Tire suas dúvidas sobre os medicamentos que são prescritos para si. Saber o que eles são e para quê, como tomá-los, e quantas vezes você deve tomá-los.Se são antibióticos deve tomá-los todos, mesmo se você começar a se sentir melhor.
  5. Pergunte se você está a tomar banho com sabão antissetico antes de ser operado.
  6. Pergunte todos os dias se você ainda precisa do cateter.
  7. Pergunte sobre as vacinas que você precisa para se manter saudável.
  8. Familiarize-se com as infecções associadas aos cuidados de saúde. IACS são infeções que os doentes podem adquirir durante os tratamentos.

É também importante saber como ser um bom visitante!

terça-feira, 12 de maio de 2015

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Prevenção da infeção por Clostridium difficile

O estudo publicado pelo CDC no New England Journal of Medicine estima que houve 453.000 casos de infeção por Clostridium difficile (ICD) nos Estados Unidos em 2011,com uma taxa de recorrência de 10% a 30%. 

Esta revisão refere que a qualidade dos dados para apoiar recomendações de prevenção ICD são relativamente pobres e com níveis de evidência baixos.

O fator de risco mais importante para o ICD é a exposição a agentes antimicrobianos.
Aquisição de C. difficile é muito incomum no ambiente hospitalar, na ausência de uma exposição antimicrobiana recente.

Apenas alguns de estudos determinam o período de incubação da aquisição C. difficile até à ICD, mas todos esses estudos descobriram um período de incubação médio de  <7 dias. 

Os doentes sintomáticos que ainda não têm o diagnóstico, que ainda não estão a receber tratamento e que ainda não estão em precauções de contato são os que dispersam mais esporos e por isso de maior contagio. Os esporos C difficile contaminam ambiente envolvente do doente e são transferidos a outros utentes pelas mãos dos profissionais de saúde e equipamentos médicos contaminados.
Atualmente, a única maneira de evitar ICD  e a ocorrência de transmissão é uma boa gestão de antimicrobianos. Se o microbioma do cólon não for alterado por antimicrobianos, o risco de  colonização com C. difficile e desenvolvimento de ICD são muito mais baixos, mesmo com a exposição a C. difficile.
Cerca de 25% dos doentes com antimicrobianos no hospital não tem uma infeção bacteriana. Não prescrever antibióticos para esses doentes irá reduzir o risco de desenvolver ICD se ocorrer uma exposição ao  C. difficile.
Antes de prescrever antimicrobianos, em primeiro lugar determinar se o paciente tem uma infecção bacteriana que requer antimicrobianos, por exemplo:
A bacteriúria assintomática: nenhum
Infecção do trato urinário sintomática: sim;
Infecção do trato respiratório superior: não; ou
Pneumonia: sim.
Quando antimicrobianos são indicados, os estudos também descobriram que a prescrição de antimicrobianos associados a um menor risco de CDI (em vez de antimicrobianos de maior risco) pode reduzir a incidência de CDI:
http://www.cdc.gov/VitalSigns/antibiotic-prescribing-practices/
Risco elevado
Aminopenicillinas
Clindamicina
Cephalosporinas
Fluoroquinolonas

Risco mediano
Beta-lactamicos/beta-lactamase inhibidor combinações
Carbapenemes

Risco baixo
Macrolitos
Trimethoprim/sulfamethoxazole
Tetracyclinas



Para prevenir a transmissão, colocamos os doentes em isolamento de contato imediatamente na suspeita de ICD. Mas a chave para o diagnóstico rápido é a identificação de doentes com diarreia clinicamente significativa. Há estudos que mostram que o tempo médio de diarreia até o diagnóstico ICD é de 3,2 dias. Logo, só após essa identificação são tomadas as medidas de tratamento e de isolamento.
É extremamente importante o uso de água e sabão uma vez que o álcool não mata esporos C. difficile no entanto verifica-se que há contaminação das mãos que pode ocorrer pelo fato das mãos serem lavadas no mesmo lavatório utilizado pelo doente após as dejecções. No processo de utilização de água e sabão, o profissional de saúde pode realmente aumentar a contaminação das mãos.
Estes dados indicam que é mais importante destacar o cumprimento do uso de luvas uma vez que reduz a contaminação das mãos

Os esporos do C. difficile podem persistir no ambiente por meses e são resistentes a desinfetantes hospitalares comuns. Um estudo de modelação transmissão C difficile estimou que aproximadamente 10% dos novos casos de ICD estão relacionadas com a contaminação preexistente do ambiente. 

A prevenção da ICD é uma responsabilidade multidisciplinar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

PLANO NACIONAL PARA A SEGURANÇA DOS DOENTES
2015-2020


Porque a Qualidade e a Segurança são imperativos para a melhoria dos Cuidados que Prestamos nas Unidades de Saúde foi hoje publicado o Despacho n.º 1400-A/2015 (Diário da República, 2.ª série — N.º 28 — 10 de Fevereiro de 2015) que enquadra o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes para o período 2015-2020.

O Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020, visa atingir os seguintes objectivos estratégicos:
1. Aumentar a cultura de segurança do ambiente interno.
2. Aumentar a segurança da comunicação.
3. Aumentar a segurança cirúrgica.
4. Aumentar a segurança na utilização da medicação.
5. Assegurar a identificação inequívoca dos doentes.
6. Prevenir a ocorrência de quedas.
7. Prevenir a ocorrência de úlceras de pressão.
8. Assegurar a prática sistemática de notificação, análise e prevenção de incidentes.
9. Prevenir e controlar as infeções e as resistências aos antimicrobianos.

OBJETIVO ESTRATÉGICO 9
PREVENIR E CONTROLAR AS INFEÇÕES E AS RESISTÊNCIAS AOS ANTIMICROBIANOS

Metas para o final de 2020:
1) Atingir uma taxa de prevalência de infeção hospitalar de 8%.
2) Reduzir em 50% face a 2014, o consumo de antimicrobianos.
3) Atingir uma taxa de MRSA de 20%.
4) Reduzir em 50% face a 2014, o consumo de carbapenemes.
5) Reduzir em 50% face a 2014, o consumo de quinolonas.


Vale a pena analisar todo o despacho. https://dre.pt/application/file/66457154


sábado, 31 de janeiro de 2015


Prevenção da Infeção Cirúrgica


A Infeção do Local Cirúrgico (ILC) tem cada vez maior relevância no contexto das infeções hospitalares e existem alguns procedimentos que devem ser relembrados para a sua prevenção.
A ILC deve começar a ser prevenida com a antecedência necessária ao controlo de doenças associadas, como a diabetes ou o tabagismo (deixar de fumar no mínimo 30 dias antes da intervenção). Tal como na programação de uma intervenção cirúrgica deve ser acautelado a identificação de infeções e o seu correto tratamento.
No caso das cirurgias eletivas é recomendado que todos os doentes devem ser submetidos a pelo menos, dois banhos prévios à intervenção cirúrgica, com gluconato de clorohexidina a 2% (não aplicar a doentes com menos de dois meses de idade corrigida), um na véspera da cirurgia e outro no dia da cirurgia (com, pelo menos, duas horas de antecedência). Mesmo na cirurgia do ambulatório, deve ser fornecido ao doente, na consulta prévia, esponja impregnada de gluconato de clorohexidina a 2% para a realização de higiene pré-operatória em casa.
Deve evitar-se o internamento pré-operatório prolongado no sentido de evitar colonizações que aumentam o risco de infeção.
Por outro lado a tricotomia  só deve ser efetuada se imprescindível, e deve ser feita com máquina elétrica, o mais próximo possível da intervenção.
A área da incisão cirúrgica deverá estar livre de contaminação visível antes da antissepsia cirúrgica.
A administração da profilaxia antibiótica deve ser efetuada nos 60 minutos (120 minutos, no caso de vancomicina) que antecedem a cirurgia, de modo a assegurar níveis tecidulares adequados na altura da incisão cirúrgica, e deve estar completa antes da incisão.
No que se refere à preparação da pele do local da incisão esta deve ser realizada com um antissético de base alcoólica, com movimentos concêntricos, do centro para a periferia, cobrindo uma área suficientemente extensa para permitir alargamento da incisão ou colocação de drenos e deve ser permitido que o antissético seque antes da incisão

Todos os profissionais de saúde devem manter as unhas curtas, limpas, sem verniz ou adereços artificiais devendo estar completamente livres antes de iniciar a preparação cirúrgica das mãos.


Direção-Geral da Saúde (2013). Norma 024/2013 – Prevenção da Infeção do Local Cirúrgico. Lisboa. Direção-Geral da Saúde