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terça-feira, 4 de junho de 2019

Iodopovidona a 5% para antissepsia cutânea e conjuntival antes da cirurgia de catarata


imagem retirada da Internet
Este estudo pretendeu avaliar a eficácia da iodopovidona a 5% na antissépsia cutânea e conjuntival em doentes submetidos a cirurgia da catarata unilateral por facoemulsificação.
O olho submetido à cirurgia foi preparado com iodopovidona a 5% por 3 minutos. O outro olho serviu de controlo.
Foram realizadas zaragatoas de ambos os olhos antes da aplicação de iodopovidona a 5% e 3 minutos depois. A proporção de culturas positivas, o número médio de espécies e o crescimento de isolados na cultura foram comparados em diferentes momentos e entre os dois grupos.
Staphylococcus coagulase-negativo foi a principal espécie isolada.
A utilização de iodopovidona a 5% durante 3 minutos resultou numa redução estatisticamente significativa na proporção de culturas positivas (87% vs 30%, p <0,001), número médio de espécies (0,96 ± 0,47 vs 0,30 ± 0,46, p < 0,001) e crescimento de Staphylococcus coagulase-negativo. Nenhuma dessas mudanças foram observadas no grupo controlo.
Assim o uso de iodopovidona a 5% durante 3 minutos antes da cirurgia de catarata consegue  uma redução significativa de microrganismos da pálpebra e da flora conjuntival.

Consultar o artigo em: https://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/112067210901900407 - https://doi.org/10.1177%2F112067210901900407








segunda-feira, 6 de maio de 2019

Higiene das mãos antes de calçar luvas não estéreis. Crenças e práticas dos profissionais de saúde

Imagem retirada da internet
Compreender as perceções e crenças dos profissionais de saúde (PS) em relação ao uso de luvas e à higiene das mãos (HM) pode ser educativo e melhorar a prática. Este estudo avaliou as práticas e crenças dos profissionais de saúde relacionadas com o uso de luvas não estéreis e HM antes de enluvar as mãos. Foram observadas estas práticas na entrada dos quartos dos doentes e foram entrevistados profissionais de saúde. As taxas de conformidade de HM antes da utilização de luvas foram de 42%, mas nas entrevistas, a maioria dos profissionais de saúde relatou 100% de conformidade. A observação do uso de luvas antes de entrar nas zonas de isolamento de contato foi de 78% de conformidade, embora todos os profissionais de saúde relatassem que usam sempre as luvas. A maioria dos PS descreveu usar luvas com mais frequência do que o necessário. Os PS geralmente usam luvas para a sua própria segurança e higienizam as mãos antes de usar luvas para a segurança do doente. Inúmeras barreiras ao cumprimento da HM antes de calçar as luvas foram discutidas, incluindo crenças de que as luvas conferem proteção suficiente.
https://www.ajicjournal.org/article/S0196-6553(18)31107-6/fulltext

sábado, 4 de maio de 2019

5 Maio – Dia Mundial da Higiene das Mãos


Em 2019, a Organização Mundial de Saúde, no âmbito do seu Desafio “WHO Save Lives – Clean Care is Safer Care” comemora o seu 11.º aniversário subordinado ao tema: “Cuidados Seguros para TODOS – Está nas Tuas MÃOS”.
Para o Dia de Higiene das Mãos deste ano, a OMS convida todos a inspirarem-se no movimento mundial para alcançar a cobertura universal de saúde (UHC), ou seja, alcançar melhor saúde e bem-estar para todas as pessoas em todas as idades, incluindo proteção contra riscos financeiros, acesso a serviços essenciais de saúde e acesso a medicamentos essenciais e vacinas seguras, eficazes, de qualidade e acessíveis para todos.
A prevenção e controlo de infeções, incluindo a higiene das mãos, é fundamental para alcançar a UHC, pois é uma abordagem prática e baseada em evidências, com impacto comprovado na qualidade do atendimento e na segurança do doente em todos os níveis do sistema de saúde.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Informação de controlo de infeção e resistência aos antimicrobianos.


A resistência aos antimicrobianos é um problema emergente nos cuidados de saúde. Prevenir a transmissão cruzada de microrganismos com resistência aos antimicrobianos é imperativo em todos os níveis de cuidados. 

Assim, o Despacho n.º 15423/2013 consagra a criação em todos os serviços e entidades públicas prestadoras de cuidados de saúde, designadamente os agrupamentos de centros de saúde, os estabelecimentos hospitalares, independentemente da sua designação, e as unidades locais de saúde, de um grupo de coordenação local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (GCL-PPCIRA). Também nas unidades de cuidados continuados integradas na rede de cuidados continuados integrados deve ser assegurada a nomeação, de um responsável local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos.

De acordo com o Despacho n.º 2784/2013, numerosos estudos apontam para o aumento do risco clinico e erro em Medicina com a falta de circulação de informação clara e atempada entre todos os intervenientes no processo de prestação de cuidados de saúde. O Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 tem como objetivo, “melhorar a prestação segura de cuidados de saúde em todos os níveis de cuidado no SNS” e para isso recorre a objetivos estratégicos, entre os quais, o aumento da segurança da comunicação.

Neste contexto a comunicação entre os diversos Grupos de Coordenação Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e de Resistência aos Antimicrobianos (GCL-PPCIRA) é fundamental para o controlo de risco inerente e para a segurança dos doentes independentemente do nível de prestação de cuidados.

Na circular normativa Nº 9 da DGS, de 22/07/09, referente a Doentes colonizados ou infetados com microrganismos multirresistentes consta que:

“1. A transferência de doentes colonizados ou infetados com microrganismos multirresistentes deve ser acompanhada de informação prévia com notificação do microrganismo em causa, seu antibiograma e local de isolamento, de forma a ser possível implementar, na admissão do doente, políticas de controlo de infeção que minimizem o risco de infeção cruzada.

2. No entanto, não são admitidos na rede de Unidades de Cuidados Continuados Integrados, doentes infetados com microrganismos multirresistentes em tratamento com antibióticos de uso exclusivo hospitalar, mesmo que acompanhados pelos documentos acima referidos.”

  • O Despacho n.º 2784/2013, na alíne n), relativos às notas de alta médica e de enfermagem refere que deve ser contemplada também na nota de alta a “Menção da existência ou não de infeção nosocomial e seu agente etiológico quando conhecido”.

  • A norma Nº 18 da DGS, de 09/12/2014 atualizada em 27/04/2015, na alínea h) é referido que a “Informação entre serviços, ou entre instituições no caso de saída/alta ou transferência, sempre que doentes colonizados ou infetados por MRSA ou suspeitos de colonização/infeção por MRSA são transferidos, incluindo notificação entre clínicos e ao Grupo de Coordenação Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e de Resistências aos Antimicrobianos; devendo, também, ser fornecida informação sobre se foi realizado ou não rastreio de colonização por MRSA e se foi ou não realizada descolonização e com que resultado”.

Ao abrigo do enquadramento referido, na nota de alta/transferência, em caso de identificação de microrganismos multirresistentes, a informação de controlo de infeção deverá estar presente de forma clara para ser percetível pelo destinatário da mensagem.

Natércia Caramujo

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Infeção associada ao cateter vascular central em Portugal

De acordo com o publicado no relatório de atividades do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA) na Vigilância das Infeções em Unidades de Cuidados Intensivos a densidade de incidência  de bacteriemia por 1 000 dias de cateter reduziu 30,77% face a 2013:


Evolução da Densidade de Incidência de Bacteriemia e o número de episódios de Bacteriemia nas unidades de cuidados intensivos monitorizadas entre 2013 e 2017.
Consultar o documento


densidade de incidência de infeções nosocomiais da corrente sanguínea (INCS) por 1 000 dias de CVC,s no global dos serviços hospitalares que monitorizam estas infeções e não só em cuidados intensivos, reduziu-se em 8,9% entre 2013  e  2017.


Evolução da Densidade de Incidência de INCS por 1 000 dias de Cateter Vascular Central
Analisando esta evolução importa clarificar se a redução é estatisticamente significativa de 2016 para 2017 e de 2014 para 2017. Relativamente ao pico assinalado em 2015 importa detalhar os acontecimentos que possam ter estado na sua origem.
Por fim, sugere-se uma clarificação de metas a alcançar na infeção associada ao cateter vascular central e as medidas a implementar nesse sentido.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Relatório de atividades do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA)


Foi publicado, em 19 de Novembro 2018, o relatório anual de atividades do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA).
Na apresentação do mesmo é referido que dele constam os principais resultados nas áreas de atuação do PPCIRA (Estratégia Multimodal de Promoção das Precauções Básicas em Controlo de Infeção, Vigilância Epidemiológica, Consumos de Antibióticos e Resistências aos Antibióticos), bem como são apresentadas as atividades desenvolvidas pelo Programa em 2018 e as que se prevêem desenvolver em 2019.