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sábado, 31 de janeiro de 2015


Prevenção da Infeção Cirúrgica


A Infeção do Local Cirúrgico (ILC) tem cada vez maior relevância no contexto das infeções hospitalares e existem alguns procedimentos que devem ser relembrados para a sua prevenção.
A ILC deve começar a ser prevenida com a antecedência necessária ao controlo de doenças associadas, como a diabetes ou o tabagismo (deixar de fumar no mínimo 30 dias antes da intervenção). Tal como na programação de uma intervenção cirúrgica deve ser acautelado a identificação de infeções e o seu correto tratamento.
No caso das cirurgias eletivas é recomendado que todos os doentes devem ser submetidos a pelo menos, dois banhos prévios à intervenção cirúrgica, com gluconato de clorohexidina a 2% (não aplicar a doentes com menos de dois meses de idade corrigida), um na véspera da cirurgia e outro no dia da cirurgia (com, pelo menos, duas horas de antecedência). Mesmo na cirurgia do ambulatório, deve ser fornecido ao doente, na consulta prévia, esponja impregnada de gluconato de clorohexidina a 2% para a realização de higiene pré-operatória em casa.
Deve evitar-se o internamento pré-operatório prolongado no sentido de evitar colonizações que aumentam o risco de infeção.
Por outro lado a tricotomia  só deve ser efetuada se imprescindível, e deve ser feita com máquina elétrica, o mais próximo possível da intervenção.
A área da incisão cirúrgica deverá estar livre de contaminação visível antes da antissepsia cirúrgica.
A administração da profilaxia antibiótica deve ser efetuada nos 60 minutos (120 minutos, no caso de vancomicina) que antecedem a cirurgia, de modo a assegurar níveis tecidulares adequados na altura da incisão cirúrgica, e deve estar completa antes da incisão.
No que se refere à preparação da pele do local da incisão esta deve ser realizada com um antissético de base alcoólica, com movimentos concêntricos, do centro para a periferia, cobrindo uma área suficientemente extensa para permitir alargamento da incisão ou colocação de drenos e deve ser permitido que o antissético seque antes da incisão

Todos os profissionais de saúde devem manter as unhas curtas, limpas, sem verniz ou adereços artificiais devendo estar completamente livres antes de iniciar a preparação cirúrgica das mãos.


Direção-Geral da Saúde (2013). Norma 024/2013 – Prevenção da Infeção do Local Cirúrgico. Lisboa. Direção-Geral da Saúde

terça-feira, 6 de maio de 2014



5 Maio de 2014

Dia Mundial da Higiene das Mãos



Está pronto para evitar a disseminação de microrganismos resistentes aos antimicrobianos? 

Esta é a pergunta lançada pela OMS e que relembra o papel da higiene das mãos na prevenção da disseminação dos microrganismos multirresistentes.
A OMS alerta os profissionais de saúde para a prática da correta higiene das mãos ao cuidar dos doentes, para protegê-los de contrair infecções associadas aos cuidados de saúde e refere por exemplo, quando o cumprimento da higiene das mãos  aumenta de 60% a 90%, pode haver uma redução de 24% na aquisição de MRSA.

http://www.who.int/gpsc/5may/en/

http://www.who.int/gpsc/5may/hand_hygiene_video/en/



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Infeção nosocomial da corrente sanguínea de 2011

Relatório da vigilância epidemiológica das infecções nosocomiais da corrente sanguínea de 2011 foi agora (06/02/2014) disponibilizado no site da DGS

O Programa de vigilância epidemiológica (VE) das infeções nosocomiais da corrente sanguínea (INCS), coordenado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), integrado na rede nacional de VE, teve em 2011 a participação de 43 hospitais (37,6% dos hospitais do SNS) e 5 hospitais privados.
Foram estudados 266 425 doentes, correspondendo a 1 882 696 dias de internamento.
Registaram-se 2 400 episódios de INCS.
A taxa global de INCS foi de 0,87 por 100 doentes admitidos e de, 1,2 por mil dias de internamento.
Observou-se um predomínio de doentes do sexo masculino (58,5%). Dos doentes com INCS, 61,1% tinham idade superior a 60 anos, dos quais, 18,4% tinham mais de 80 anos.
Os grupos de serviços/áreas assistenciais com proporção e densidade de INCS mais elevadas foram os serviços de Hematologia e Oncologia (Pediátrica e Adultos) e as Unidades de Cuidados Intensivos (Polivalentes e outras).
Os episódios de INCS primárias corresponderam a 59,2%, incluindo 19,7% associadas ao cateter vascular central. Foram mais frequentes nos serviços de Medicina Interna, Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) polivalentes, Cirurgia Geral,  Especialidades Cirúrgicas e Hematologia e Oncologia.
As INCS secundárias a infeção noutro local corresponderam a 43,4%, sendo mais frequentes nos serviços de Medicina Interna, UCI polivalentes, Hematologia e Oncologia, Cirurgia Geral e Especialidades Cirúrgicas.
Obteve-se uma taxa de INCS associada a cateter venoso central (CVC) de 2,2 por mil dias de exposição a este dispositivo, predominantemente nos serviços de Hematologia/Oncologia (Pediátrica e Adultos), Especialidades Cirúrgicas, Medicina/Especialidades Médicas e Cirurgia Geral. Os Serviços de Pediatria Geral apresentaram uma taxa de 1% de INCS associadas a CVC.
No que se refere aos fatores de risco intrínseco, a neoplasia sólida foi assinalada em 23% dos doentes com INCS, a neutropenia em 22%, a diabetes em 14%, leucemia/linfoma em 13%, e, as restantes situações de Imunossupressão em 28% dos doentes.
Os fatores de risco extrínsecos (FRE) mais significativos para o aparecimento de INCS foram a presença de CVC, a nutrição parentérica e a hemodiálise.
As INCS secundárias tiveram origem predominantemente nas infeções urinárias e respiratórias.
A demora média nos doentes com INCS foi de 36,8 dias, contrastando com a demora média global de todos os doentes admitidos nos Serviços em estudo, que foi de 7,3 dias.
Dos doentes com episódio de INCS, 48,9% saíram com alta; 21,4% foram transferidos para outros serviços ou outras unidades de saúde e 29,7% faleceram no decurso do episódio de INCS.
A taxa bruta de mortalidade foi mais elevada nas UCI (polivalentes e Outras), Medicina Interna e Cirurgia Geral.
Foram isolados 2553 microrganismos nos 2400 episódios de INCS, dos quais, 48,6% eram Gram negativo, 46,5% eram Gram positivo e 4,6% eram fungos.
Os microrganismos predominantes foram Staphylococcus aureus, Staphylococcus coagulase negativo, Escherichia coli e Klebsiella sp., representando cerca de 60% do total de agentes etiológicos.
A taxa de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) foi de 57,7% no total das estirpes identificadas e as resistências de Acinetobacter baumannii às Cefolosporinas de terceira geração e aos Carbapenemes foram de 79,1% e 71,6% no total de estirpes.
Verificou-se ainda a existência de 4,5% de resistências à Colistina no total de estirpes testadas.
Um número apreciável (30,3% das estirpes testadas, 28,9% no total de estirpes) de Klebsiella pneumoniae, são produtoras de betalactamase de espectro extendido.

A análise das resistências foi ainda limitada, devido às variações na informaçãodisponibilizada pelos laboratórios de Microbiologia de cada Hospital aderente


Documento in: http://www.dgs.pt/programas-de-saude-prioritarios.aspx 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos

Após a fusão de dois anteriores programas, “Programa Nacional de Controlo de Infeção” e “Programa Nacional de Prevenção das Resistências aos Antimicrobianos”, em Fevereiro de 2013, é criado o   “Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos”, com carácter de programa de saúde prioritário. Com o principal objetivo a redução da taxa de infeções associadas aos cuidados de saúde, hospitalares e da comunidade, assim como da taxa de microrganismos com resistência aos antimicrobianos. Os objetivos específicos assentam na vigilância contínua da infeção hospitalar, do consumo de antibióticos e da incidência de microrganismos multirresistentes de modo a que: 
a) Número de hospitais aderentes à vigilância de microrganismos resistentes em 2014 / Número de hospitais do Sistema Nacional de Saúde em 2014 ≥ 50%.
b) DDD de consumo hospitalar de carbapenemes em 2015 / DDD de consumo hospitalar de carbapenemes em 2011 ≤ 95%;
c) DDD de consumo ambulatório de quinolonas em 2015 / DDD de consumo ambulatório de quinolonas em 2011 ≤ 95%;
d) Número de bacteriemias por MRSA por 1000 dias de internamento em 2015 / Número de bacteriemias por MRSA por 1000 dias de internamento em 2012 ≤  90%;
e) Taxa de bacteriemias por MRSA no total de bacteriemias por Staphylococcus aureus em 2015 / Taxa de bacteriemias por MRSA no total de bacteriemias por Staphylococcus aureus em 2012 ≤  90%;  
 "Orientações Programáticas" publicado em www.dgs.ptPrograma de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos


sábado, 8 de dezembro de 2012

Enterobacteriaceas resistentes aos carbapenemes

As Enterobacteriaceas resistentes aos carbapenemes (CRE) fazem parte duma família de bactérias com elevada  resistência aos antibióticos, como é o caso da Klebsiella spp e da Escherichia coli. Já tendo sido documentadas estirpes "Pan-resistentes". 
As infecções por CRE estão principalmente associadas aos cuidados de saúde, em doentes sujeitos a dispositivo/procedimentos invasivos e antibioterapia. Estas infecções são muito difíceis de tratar e têm elavada mortalidade, em alguns estudos essa taxa é de 40 a 50%. 
Ao lado está um mapa que representa os estados dos EUA com infecções por CRE com confirmação pelo CDC.

Também na Europa este problema se começa a tornar evidente e preocupante. Em 2011 o ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças) publicou dois documentos referentes ao risco de infecções por CRE:

Importa implementar medidas efectivas de controlo de infecção no sentido de evitar a transmissão destas bactérias nas unidades de saúde. Torna-se, por isso, necessário implementar medidas de vigilância e contenção de CRE.

O CDC publicou um guia de controlo de CRE recomendando:
  1. Higiene das mãos
  2. Precauções de contacto (realizar a higiene das mãos antes de colocar equipamento de protecção individual; colocar bata e luvas antes de entrar no quarto e retira-los antes de sair tal como realizar a higiene das mãos)
  3. Educação de profissionais de saúde acerca da transmissão de microrganismos, precauções de contacto e higiene das mãos
  4. Uso racional de dispositivos invasivos
  5. Coortes de doentes com CRE e profissionais dedicados
  6. Notificação laboratorial dos isolados microbiológicos
  7. Politicas de antibióticos
  8. Pesquisa de portador de CRE (screening)
Pode ser necessário fazer também o screening dos contactos. Não excluir a possibilidade do uso do banho com clorohexidina a 2%.
    http://www.cdc.gov/hai/pdfs/cre/CRE-guidance-508.pdf
É de primordial importância conhecer as características epidemiológicas dos doentes infectados e dos colonizados no nosso país.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

RELATÓRIO DO PROGRAMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DAS INFEÇÕES DO LOCAL CIRÚRGICO – HELICS-cirurgia

Publicado no dia 4 de Outubro, este relatório faz uma abordagem global da base de dados PORTUGESA  do programa HELICS-cirurgia desde o seu início e a análise mais detalhada do período que decorre entre 2006-2010.  A base de dados inclui registo de doentes submetidos a intervenções cirúrgicas de acordo com o protocolo europeu do HELICS-SSI.
Desde 2000 e até o final de 2010, foram registadas 82.797 cirurgias de 61 hospitais.
Entre 2000 e 2005 foram registadas 29650 intervenções de 30 serviços de cirurgia de 17 hospitais.
Durante os cinco anos seguintes (2006-2010), foram registados para participar, 61 Hospitais. Os hospitais participantes foram variando ao longo dos anos com alguns hospitais a sair e novos hospitais a entrar no sistema. O número de hospitais com registos em cada agrupamento cirúrgico variou de 2 a 16. O número total de Procedimentos Cirúrgicos inseridos na Plataforma informática do HELICS Cirurgia durante o período foi de 53147.
A análise mais detalhada abrangeu os agrupamentos cirúrgicos do programa HELICS-SSI (colon, vesícula, prótese de anca e joelho, cesariana) e as apendicites e cura de hérnia abdominal por serem considerados relevantes no total de procedimentos na base de dados.
As incidências cumulativas e as densidades de incidência variaram por tipo de procedimento. A deteção de após a alta foi variável de acordo com os procedimentos sendo de 7,6% na cirurgia do colon e de 80,6% na cura de hérnia abdominal.
As infeções de órgão/espaço, que podem ser consideradas as mais graves, variaram entre 2,8% na herniorrafia a 19,1% na cirurgia da vesícula biliar sendo de 17,9% na cesariana.

O recurso ao laboratório de microbiologia para o diagnóstico etiológico da infeção foi significativo (cerca de 75%) nas cirurgias ortopédicas variando entre 23% e 37% nas restantes cirurgias. O agente mais frequente foi Staphylococcus aureus com uma taxa significativa de estirpes multirresistentes (MRSA). Na cirurgia abdominal, o agente mais frequentemente isolado foi E. coli.
No que se refere às práticas na utilização de antimicrobianos as mesmas variaram de acordo com o tipo de procedimento.
As demoras médias dos doentes que adquiriram infeção ainda durante o internamento foram significativamente superiores em todas as cirurgias estudadas.

Documento in: http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i017795.pdf

Relatório de Vigilância Epidemiológica da Infecção Nosocomial da Corrente Sanguínea.

 No passado dia 4 de Outubro foi publicado O Relatório da Incidência da Infecção Nosocomial da Corrente Sanguíne (INCS) referente ao ano de 2010, em PORTUGAL.

As INCS são uma das infecções hospitalares (IH) quem mais contribui para a mortalidade/morbilidade e aumento dos custos económicos das instituições de saúde.
Neste estudo participaram 19 hospitais portugueses.
No total de 118037 doentes internados registaram-se 1294 episódios de INCS  Mais de metade (51,5%) dos doentes com INCS tinham idade superior a 60 anos (16% com idade > 80 anos) e 1,7% tinha idade inferior a 1 ano.
A incidência cumulativa de INCS foi de 1,2 por cem doentes admitidos e a densidade de incidência de 1,5 por mil dias de internamento, sendo as taxas mais elevadas nos serviços de Hematologia/Oncologia, pediátrica e de adultos, e nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).
As INCS primárias corresponderam a 63,8% dos episódios (23,6% associadas a cateter venoso central [CVC]), sendo mais frequentes nos serviços de Hematologia/Oncologia, Medicina Interna, UCI polivalentes, Cirurgia Geral e Hematologia/Oncologia pediátrica.
Os fatores de risco extrínsecos mais significativos para o aparecimento de INCS foram a presença de CVC e a nutrição parentérica.
A taxa de INCS associada a CVC foi de 2,5 por mil dias de exposição, sendo mais elevada nos serviços de Hematologia/Oncologia, pediátrica e de adultos, especialidades médicas, UCI e Cirurgia Geral.
As INCS secundárias representaram 36,2% dos episódios, sendo predominantes nos serviços de Medicina Interna, UCI polivalentes, Hematologia/Oncologia, Cirurgia Geral e especialidades cirúrgicas.
A demora média nos doentes com INCS foi de 33,8 dias, com uma demora média global nos Serviços em estudo de 8,2 dias. Dos doentes com INCS, 52,8% saíram com alta; 19,1% foram transferidos para outros serviços ou outras unidades de saúde e 28,1% faleceram.
A taxa bruta de mortalidade nos doentes com INCS foi de 28,1, sendo mais elevada nas UCI, Medicina Interna e Especialidades Médicas.
Foram isolados 1351 microrganismos, nos 1294 episódios de INCS, com a seguinte distribuição: Bactérias Gram positivo: 49,4%; Bactérias Gram negativo: 47,4%; Fungos leveduriformes: 3,1%.
A análise das resistências identifica os principais microrganismos problema como Staphylococcus aureus com 65,7% de resistência à meticilina (MRSA) e Acinetobacter baumannii com resistências superiores a 90% às cefalosporinas de 3.ª geração e carabapenemos.

Documento in: http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i017794.pdf