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terça-feira, 6 de maio de 2014



5 Maio de 2014

Dia Mundial da Higiene das Mãos



Está pronto para evitar a disseminação de microrganismos resistentes aos antimicrobianos? 

Esta é a pergunta lançada pela OMS e que relembra o papel da higiene das mãos na prevenção da disseminação dos microrganismos multirresistentes.
A OMS alerta os profissionais de saúde para a prática da correta higiene das mãos ao cuidar dos doentes, para protegê-los de contrair infecções associadas aos cuidados de saúde e refere por exemplo, quando o cumprimento da higiene das mãos  aumenta de 60% a 90%, pode haver uma redução de 24% na aquisição de MRSA.

http://www.who.int/gpsc/5may/en/

http://www.who.int/gpsc/5may/hand_hygiene_video/en/



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Infeção nosocomial da corrente sanguínea de 2011

Relatório da vigilância epidemiológica das infecções nosocomiais da corrente sanguínea de 2011 foi agora (06/02/2014) disponibilizado no site da DGS

O Programa de vigilância epidemiológica (VE) das infeções nosocomiais da corrente sanguínea (INCS), coordenado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), integrado na rede nacional de VE, teve em 2011 a participação de 43 hospitais (37,6% dos hospitais do SNS) e 5 hospitais privados.
Foram estudados 266 425 doentes, correspondendo a 1 882 696 dias de internamento.
Registaram-se 2 400 episódios de INCS.
A taxa global de INCS foi de 0,87 por 100 doentes admitidos e de, 1,2 por mil dias de internamento.
Observou-se um predomínio de doentes do sexo masculino (58,5%). Dos doentes com INCS, 61,1% tinham idade superior a 60 anos, dos quais, 18,4% tinham mais de 80 anos.
Os grupos de serviços/áreas assistenciais com proporção e densidade de INCS mais elevadas foram os serviços de Hematologia e Oncologia (Pediátrica e Adultos) e as Unidades de Cuidados Intensivos (Polivalentes e outras).
Os episódios de INCS primárias corresponderam a 59,2%, incluindo 19,7% associadas ao cateter vascular central. Foram mais frequentes nos serviços de Medicina Interna, Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) polivalentes, Cirurgia Geral,  Especialidades Cirúrgicas e Hematologia e Oncologia.
As INCS secundárias a infeção noutro local corresponderam a 43,4%, sendo mais frequentes nos serviços de Medicina Interna, UCI polivalentes, Hematologia e Oncologia, Cirurgia Geral e Especialidades Cirúrgicas.
Obteve-se uma taxa de INCS associada a cateter venoso central (CVC) de 2,2 por mil dias de exposição a este dispositivo, predominantemente nos serviços de Hematologia/Oncologia (Pediátrica e Adultos), Especialidades Cirúrgicas, Medicina/Especialidades Médicas e Cirurgia Geral. Os Serviços de Pediatria Geral apresentaram uma taxa de 1% de INCS associadas a CVC.
No que se refere aos fatores de risco intrínseco, a neoplasia sólida foi assinalada em 23% dos doentes com INCS, a neutropenia em 22%, a diabetes em 14%, leucemia/linfoma em 13%, e, as restantes situações de Imunossupressão em 28% dos doentes.
Os fatores de risco extrínsecos (FRE) mais significativos para o aparecimento de INCS foram a presença de CVC, a nutrição parentérica e a hemodiálise.
As INCS secundárias tiveram origem predominantemente nas infeções urinárias e respiratórias.
A demora média nos doentes com INCS foi de 36,8 dias, contrastando com a demora média global de todos os doentes admitidos nos Serviços em estudo, que foi de 7,3 dias.
Dos doentes com episódio de INCS, 48,9% saíram com alta; 21,4% foram transferidos para outros serviços ou outras unidades de saúde e 29,7% faleceram no decurso do episódio de INCS.
A taxa bruta de mortalidade foi mais elevada nas UCI (polivalentes e Outras), Medicina Interna e Cirurgia Geral.
Foram isolados 2553 microrganismos nos 2400 episódios de INCS, dos quais, 48,6% eram Gram negativo, 46,5% eram Gram positivo e 4,6% eram fungos.
Os microrganismos predominantes foram Staphylococcus aureus, Staphylococcus coagulase negativo, Escherichia coli e Klebsiella sp., representando cerca de 60% do total de agentes etiológicos.
A taxa de Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) foi de 57,7% no total das estirpes identificadas e as resistências de Acinetobacter baumannii às Cefolosporinas de terceira geração e aos Carbapenemes foram de 79,1% e 71,6% no total de estirpes.
Verificou-se ainda a existência de 4,5% de resistências à Colistina no total de estirpes testadas.
Um número apreciável (30,3% das estirpes testadas, 28,9% no total de estirpes) de Klebsiella pneumoniae, são produtoras de betalactamase de espectro extendido.

A análise das resistências foi ainda limitada, devido às variações na informaçãodisponibilizada pelos laboratórios de Microbiologia de cada Hospital aderente


Documento in: http://www.dgs.pt/programas-de-saude-prioritarios.aspx 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos

Após a fusão de dois anteriores programas, “Programa Nacional de Controlo de Infeção” e “Programa Nacional de Prevenção das Resistências aos Antimicrobianos”, em Fevereiro de 2013, é criado o   “Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos”, com carácter de programa de saúde prioritário. Com o principal objetivo a redução da taxa de infeções associadas aos cuidados de saúde, hospitalares e da comunidade, assim como da taxa de microrganismos com resistência aos antimicrobianos. Os objetivos específicos assentam na vigilância contínua da infeção hospitalar, do consumo de antibióticos e da incidência de microrganismos multirresistentes de modo a que: 
a) Número de hospitais aderentes à vigilância de microrganismos resistentes em 2014 / Número de hospitais do Sistema Nacional de Saúde em 2014 ≥ 50%.
b) DDD de consumo hospitalar de carbapenemes em 2015 / DDD de consumo hospitalar de carbapenemes em 2011 ≤ 95%;
c) DDD de consumo ambulatório de quinolonas em 2015 / DDD de consumo ambulatório de quinolonas em 2011 ≤ 95%;
d) Número de bacteriemias por MRSA por 1000 dias de internamento em 2015 / Número de bacteriemias por MRSA por 1000 dias de internamento em 2012 ≤  90%;
e) Taxa de bacteriemias por MRSA no total de bacteriemias por Staphylococcus aureus em 2015 / Taxa de bacteriemias por MRSA no total de bacteriemias por Staphylococcus aureus em 2012 ≤  90%;  
 "Orientações Programáticas" publicado em www.dgs.ptPrograma de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos


sábado, 8 de dezembro de 2012

Enterobacteriaceas resistentes aos carbapenemes

As Enterobacteriaceas resistentes aos carbapenemes (CRE) fazem parte duma família de bactérias com elevada  resistência aos antibióticos, como é o caso da Klebsiella spp e da Escherichia coli. Já tendo sido documentadas estirpes "Pan-resistentes". 
As infecções por CRE estão principalmente associadas aos cuidados de saúde, em doentes sujeitos a dispositivo/procedimentos invasivos e antibioterapia. Estas infecções são muito difíceis de tratar e têm elavada mortalidade, em alguns estudos essa taxa é de 40 a 50%. 
Ao lado está um mapa que representa os estados dos EUA com infecções por CRE com confirmação pelo CDC.

Também na Europa este problema se começa a tornar evidente e preocupante. Em 2011 o ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças) publicou dois documentos referentes ao risco de infecções por CRE:

Importa implementar medidas efectivas de controlo de infecção no sentido de evitar a transmissão destas bactérias nas unidades de saúde. Torna-se, por isso, necessário implementar medidas de vigilância e contenção de CRE.

O CDC publicou um guia de controlo de CRE recomendando:
  1. Higiene das mãos
  2. Precauções de contacto (realizar a higiene das mãos antes de colocar equipamento de protecção individual; colocar bata e luvas antes de entrar no quarto e retira-los antes de sair tal como realizar a higiene das mãos)
  3. Educação de profissionais de saúde acerca da transmissão de microrganismos, precauções de contacto e higiene das mãos
  4. Uso racional de dispositivos invasivos
  5. Coortes de doentes com CRE e profissionais dedicados
  6. Notificação laboratorial dos isolados microbiológicos
  7. Politicas de antibióticos
  8. Pesquisa de portador de CRE (screening)
Pode ser necessário fazer também o screening dos contactos. Não excluir a possibilidade do uso do banho com clorohexidina a 2%.
    http://www.cdc.gov/hai/pdfs/cre/CRE-guidance-508.pdf
É de primordial importância conhecer as características epidemiológicas dos doentes infectados e dos colonizados no nosso país.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

RELATÓRIO DO PROGRAMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DAS INFEÇÕES DO LOCAL CIRÚRGICO – HELICS-cirurgia

Publicado no dia 4 de Outubro, este relatório faz uma abordagem global da base de dados PORTUGESA  do programa HELICS-cirurgia desde o seu início e a análise mais detalhada do período que decorre entre 2006-2010.  A base de dados inclui registo de doentes submetidos a intervenções cirúrgicas de acordo com o protocolo europeu do HELICS-SSI.
Desde 2000 e até o final de 2010, foram registadas 82.797 cirurgias de 61 hospitais.
Entre 2000 e 2005 foram registadas 29650 intervenções de 30 serviços de cirurgia de 17 hospitais.
Durante os cinco anos seguintes (2006-2010), foram registados para participar, 61 Hospitais. Os hospitais participantes foram variando ao longo dos anos com alguns hospitais a sair e novos hospitais a entrar no sistema. O número de hospitais com registos em cada agrupamento cirúrgico variou de 2 a 16. O número total de Procedimentos Cirúrgicos inseridos na Plataforma informática do HELICS Cirurgia durante o período foi de 53147.
A análise mais detalhada abrangeu os agrupamentos cirúrgicos do programa HELICS-SSI (colon, vesícula, prótese de anca e joelho, cesariana) e as apendicites e cura de hérnia abdominal por serem considerados relevantes no total de procedimentos na base de dados.
As incidências cumulativas e as densidades de incidência variaram por tipo de procedimento. A deteção de após a alta foi variável de acordo com os procedimentos sendo de 7,6% na cirurgia do colon e de 80,6% na cura de hérnia abdominal.
As infeções de órgão/espaço, que podem ser consideradas as mais graves, variaram entre 2,8% na herniorrafia a 19,1% na cirurgia da vesícula biliar sendo de 17,9% na cesariana.

O recurso ao laboratório de microbiologia para o diagnóstico etiológico da infeção foi significativo (cerca de 75%) nas cirurgias ortopédicas variando entre 23% e 37% nas restantes cirurgias. O agente mais frequente foi Staphylococcus aureus com uma taxa significativa de estirpes multirresistentes (MRSA). Na cirurgia abdominal, o agente mais frequentemente isolado foi E. coli.
No que se refere às práticas na utilização de antimicrobianos as mesmas variaram de acordo com o tipo de procedimento.
As demoras médias dos doentes que adquiriram infeção ainda durante o internamento foram significativamente superiores em todas as cirurgias estudadas.

Documento in: http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i017795.pdf

Relatório de Vigilância Epidemiológica da Infecção Nosocomial da Corrente Sanguínea.

 No passado dia 4 de Outubro foi publicado O Relatório da Incidência da Infecção Nosocomial da Corrente Sanguíne (INCS) referente ao ano de 2010, em PORTUGAL.

As INCS são uma das infecções hospitalares (IH) quem mais contribui para a mortalidade/morbilidade e aumento dos custos económicos das instituições de saúde.
Neste estudo participaram 19 hospitais portugueses.
No total de 118037 doentes internados registaram-se 1294 episódios de INCS  Mais de metade (51,5%) dos doentes com INCS tinham idade superior a 60 anos (16% com idade > 80 anos) e 1,7% tinha idade inferior a 1 ano.
A incidência cumulativa de INCS foi de 1,2 por cem doentes admitidos e a densidade de incidência de 1,5 por mil dias de internamento, sendo as taxas mais elevadas nos serviços de Hematologia/Oncologia, pediátrica e de adultos, e nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).
As INCS primárias corresponderam a 63,8% dos episódios (23,6% associadas a cateter venoso central [CVC]), sendo mais frequentes nos serviços de Hematologia/Oncologia, Medicina Interna, UCI polivalentes, Cirurgia Geral e Hematologia/Oncologia pediátrica.
Os fatores de risco extrínsecos mais significativos para o aparecimento de INCS foram a presença de CVC e a nutrição parentérica.
A taxa de INCS associada a CVC foi de 2,5 por mil dias de exposição, sendo mais elevada nos serviços de Hematologia/Oncologia, pediátrica e de adultos, especialidades médicas, UCI e Cirurgia Geral.
As INCS secundárias representaram 36,2% dos episódios, sendo predominantes nos serviços de Medicina Interna, UCI polivalentes, Hematologia/Oncologia, Cirurgia Geral e especialidades cirúrgicas.
A demora média nos doentes com INCS foi de 33,8 dias, com uma demora média global nos Serviços em estudo de 8,2 dias. Dos doentes com INCS, 52,8% saíram com alta; 19,1% foram transferidos para outros serviços ou outras unidades de saúde e 28,1% faleceram.
A taxa bruta de mortalidade nos doentes com INCS foi de 28,1, sendo mais elevada nas UCI, Medicina Interna e Especialidades Médicas.
Foram isolados 1351 microrganismos, nos 1294 episódios de INCS, com a seguinte distribuição: Bactérias Gram positivo: 49,4%; Bactérias Gram negativo: 47,4%; Fungos leveduriformes: 3,1%.
A análise das resistências identifica os principais microrganismos problema como Staphylococcus aureus com 65,7% de resistência à meticilina (MRSA) e Acinetobacter baumannii com resistências superiores a 90% às cefalosporinas de 3.ª geração e carabapenemos.

Documento in: http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i017794.pdf

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

PREVALÊNCIA DA ALGALIAÇÃO SEM INDICAÇÃO "Um Factor de Risco Evitável"

 Este estudo PORTUGUÊS aborda a infecção do tracto urinário e da algaliação que é reconhecida como o principal factor de risco. A frequência com que os doentes são algaliados e o tempo de algaliação determina o maior ou menor risco de infecção do tracto urinário. Se o doente estiver inapropriadamente algaliado então esse risco é evitável. O objectivo do presente estudo foi determinar a frequência da algaliação evitável num Departamento de Medicina, o que envolveu a análise de todos os doentes internados para determinar a presença de algaliação, em dois dias diferentes, e ainda a posterior consulta dos processos clínicos dos doentes algaliados para identificar os casos onde tinham surgido infecções do tracto urinário. Dos 160 doentes internados no período do estudo, 20% tinham catéter vesical. A indicação da algaliação foi na sua maioria (84,4%) médica. Nos indivíduos estudados, foi observado que 25% não tinham indicação apropriada para estarem algaliados naquele dia, verificando-se como justificações para a permanência da algália a gestão da incontinência (6,2%) e a ausência de indicação paraa sua remoção (18,8%). Verificámos que doze dos indivíduos da amostra (37,5%) desenvolveram Infecção do Tracto Urinário e que cinco desses casos não tinham indicação apropriada para estarem algaliados. Concluiu-se que cinco casos de Infecção do Tracto Urinário eram potencialmente evitáveis. Este número corresponde a 41,7% do total das Infecções do Tracto Urinário identificadas. Este é um dado relevante se considerarmos o objectivo de melhorar continuamente a prestação de cuidados, bem como todos os custos associados ao tratamento de infecções do tracto urinário.
 
http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2011-24/suplemento-originais/517-522.pdf